Escândalos de 2011



O primeiro ano da presidência de Dilma Rousseff não foi dos mais fáceis. Embalada por uma sucessão de crises envolvendo casos de corrupção e ministérios importantes, Dilma teve que tomar atitudes drásticas para combater a corrupção junto de sua base aliada sem que isso criasse uma crise política em sua administração. Suou bastante.


Fora do Brasil, o então presidente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss Kahn, um dos homens mais importantes do mundo no combate à crise mundial, foi acusado e preso por conta de um suposto estupro de uma camareira de hotel em Nova York. Acabou solto e voltou para a França, seu país natal, meses depois, após colocarem em dúvida a credibilidade da vítima que a acusou. Mas sua pretensão de ser presidente da França e seu cargfo no FMI caíram por terra.

1. A não cassação da deputada Jaqueline Roriz.


Em 2009, a operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, mexeu com a política do Distrito Federal. Ela deflagrou um esquema de remessa ilegal de dinheiro para políticos da base aliada do governador José Roberto Arruda (DEM). Envolvido até o pescoço no esquema, o então secretário de Relações Institucionais do governo, Durval Barbosa, topou colaborar com a PF e filmou as reuniões na qual distribuía o dinheiro público para os aliados políticos de Arruda.

O governador caiu. Entre os políticos que receberam dinheiro estava a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), filha do ex-governador Joaquim Roriz, ex-governador do DF. Ela foi flagrada em vídeo junto de seu marido, Manuel Neto, após receber 50 mil reais em dinheiro vivo.

Os vídeos foram gravados em 2006, quando Jaqueline era deputada distrital. Em março de 2011, sua cassação foi votada na Câmara Federal. Ela não foi cassada sob o argumento de que não era deputada federal à época do recebimento de dinheiro. Mais um absurdo da história política brasileira.

2. A quebra do Banco PanAmericano.


Em 2010, uma inspeção de rotina do Banco Central no Banco Panamericano mostrou que a entidade que pertencia ao Grupo Silvio Santos, que tem o empresário e apresentador de tevê como dono, falsificava balancetes para esconder um rombo de 4.3 bilhões de reais em suas contas.

Em outras palavras: o banco estava falido e maquiava informações. Para sanar as contas e limpar o próprio nome, Silvio Santos empenhou praticamente todas as empresas das quais é dono, como o SBT e a Jequiti. Em outubro deste ano, o ex-presidente do banco Rafael Palladino e outros seis executivos foram indiciados pela Polícia Federal (PF) por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta - entre eles, o executivo Luiz Sandoval, ex-presidente do próprio Grupo Silvio Santos.

3. Queda dos ministros.


O primeiro ano de Dilma Rousseff como presidenta da República foi um teste de fogo para administrar sua base aliada e, ao mesmo tempo, punir culpados em casos de corrupção. Uma sucessão de denúncias acabaram derrubando cinco ministros de Estado. Em junho, caiu o chefe da Casa Civil Antônio Palocci, chefe da Casa Civil, que não conseguiu explicar como seu patrimônio aumentou 20 vezes em quatro anos.

Ele prestava consultoria para empresas que tinham interesses junto ao governo federal antes de ser ministro. Em julho, foi a vez do ministro dos Transportes Alfredo Nascimento deixar o cargo por não fazer nada quanto aos esquemas de desvio de dinheiro organizado por seu partido (PR) no ministério. Em agosto, caiu o ministro da Agricultura Wagner Rossi, acusado de relação promíscua com empresas com interesses no Ministério da Agricultura.

Em setembro, foi a vez de Pedro Novaes, do Turismo, por conta de um desvio de dinheiro no Ministério envolvendo pessoas próximas a ele, denunciadas na Operação Voucher da PF. Em outubro, caiu o Ministro dos Esportes Orlando Silva, por nada fazer quanto a um esquema de desvio de dinheiro que iria para ONG´s com destino a caixa dois do seu partido, o PC do B.

4. Strauss-Kahn.


Então diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, o economista francês Dominique Strauss-Kahn era candidato favoritíssimo ao posto de presidente da França nas eleições de 2012. Mas seu objetivo político terminou numa noite de maio de 2010: Strauss-Kahn foi preso tentando embarcar para a França horas depois de ter tido uma relação sexual com uma camareira guineense chamada Nafissatou Diallo, que trabalha no hotel no qual se hospedara em Nova York.

A camareira o acusou de estupro. Detido em prisão domicilar na cidade norte-americana, Strauss-Kahn teve que renunciar ao seu posto no FMI e se dedicar à sua defesa - segundo ele, a relação foi consentida. Em julho, a acusação a Strauss Kahn foi retirada pela promotoria de Nova York por conta de um elo entre a camareira e um traficante de drogas - ela teria combinado que armaria a situação para tirar dinheiro do francês. Strauss Kahn foi liberado para voltar a seu país em agosto.

No entanto, na França ele também foi acusado de estupro por uma jornalista chamada Tristane Banon, que teria ocorrido há quase dez anos. Este caso também foi arquivado. No entanto, os casos acabaram com a carreira política de Strauss-Kahn.

5. Problemas com o Enem.


Pelo terceiro ano seguido, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve problemas na realização da prova. O colégio Christus, de Fortaleza (CE), teve acesso a 14 questões de Enem meses antes da realização da prova - as questões apareceram em apostilas internas da escola. A Polícia Federal foi acionada para desvendar o caso.

O ocorrido: as questões do Enem são selecionadas em um banco de questões existentes dentro do Ministério da Educação. De alguma forma, alguns professores do colégio Christus tiveram acesso a este banco de questões. Depois de idas e vindas na Justiça, com pedidos de anulação das provas em todo o País, o Enem foi refeito para 639 alunos do colégio da capital cearense.

6. O cerco ao Wikileaks.


O Wikileaks é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 2006 que visava reunir e divulgar documentos secretos de interesse público sobre países e/ou empresas através de um website. A organização atingiu seu ápice em 2010 com uma enorme quantidade de informações divulgadas sobre o governo americano, sobretudo.

Comandado pelo sueco-australiano Julian Assange, o Wikileaks causou a ira dos principais governantes e passou a ser boicotado. A entidade vivia de doações, mas a pressão de governos nacionais fez com que as empresas internacionais de cartão de crédito não autorizassem mais pagamentos para a conta do Wikileaks. Em novembro, Julian Assange anunciou o fim da entidade a partir de janeiro de 2012. Assange também foi acusado de estupro em sua terra natal, a Suécia. Preso no Reino Unido, a Justiça local decidiu deportá-lo para Estocolmo, onde deve responder pela acusação.

7. Lixo hospitalar em Pernambuco.


Em outubro, dois contêineres de 48 toneladas cada foram apreendidos no Porto de Suape, Pernambuco, repletos de lixo hospitalar vindos de Charleston, uma cidade norte-americana da Carolina do Sul. A importação de lixo hospitalar é proibida no Brasil, caracterizada como crime de contrabando.

O destino do lixo era uma empresa de Santa Cruz do Capibaribe (PE). Uma força-tarefa das polícia Civil e Federal está cuidando do caso. Foram descobertos documentos desta empresa que mostram a negociação do lixo apreendido.

8. Operação Voucher.


Em agosto, a Polícia Federal deflagrou uma operação disposta a dissolver um suposto esquema de desvio de dinheiro público do Ministério do Turismo. O esquema destinava verba do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), ligado ao Ministério, a empresas de fachada.

Ao menos 3 milhões de reais foram desviados no esquema. Entre os presos na operação está o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, ligado ao então ministro da pasta, Pedro Novaes. Com o escândalo, Novas caiu.

9. Cassação política do casal Garotinho.


Em setembro, a Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro cassou o mandato de prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e de seu vice, Francisco Arthur de Souza Oliveira. Junto da dupla, o marido da prefeita e ex-governador Anthony Garotinho também teve seus direitos políticos cassados.

Todos são acusados de abuso de poder econômico por conta do uso indevido de veículo de comunicação social - no caso, teriam sido beneficiados por propaganda eleitoral irregular da rede de comunicação O Diário, da região de Campos. Segundo a Justiça, a rádio do grupo usava programas jornalísticos para fazer campanha eleitoral em prol de Rosinha. O casal Rosinha e Anthony Garotinho, com a decisão, ficarão três anos impedidos de disputas políticas. Uma liminar na Justiça devolveu a prefeitura à Rosinha, mas a questão deve se prolongar pelos próximos meses.

10. Paulo Maluf acusado de desviar 1 bi.


2011 é o ano em que Paulo Maluf completou 80 anos de idade. Também é o ano em que o ex-governador e ex-prefeito de São Paulo teve uma ação penal aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O motivo: a corte entendeu que o político e seus parentes foram responsáveis por enviar cerca de 1 bilhão de dólares oriundos de contas públicos ao exterior a partir da construção da Avenida das Águas Espraiadas, atual Roberto Marinho, em São Paulo. O ex-governador e sua mulher Sylvia Maluf não responderão, no entanto, pela acusação de formação de quadrilha porque já passaram dos 70 anos.

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